A Igreja Não É Lugar de Desculpas: Uma Exortação à Santidade e ao Temor
Diante dos lamentáveis episódios em que líderes caem em pecado e mancham o nome da igreja do Senhor Jesus, assistimos a uma onda de pronunciamentos nas redes sociais que citam a Bíblia de forma leviana. Versículos são lançados ao léu, sem qualquer análise do seu real significado, servindo mais como desculpas para amenizar a culpa do que como uma exortação contra o pecado.
Nota-se um zelo excessivo pelo pecador emdetrimento do corpo de Cristo — a igreja —, que deve ser a nossa prioridade. O cuidado pastoral com quem errou jamais pode anular a devida repreensão, tampouco esconder as severas consequências da desobediência.
O versículo exaustivamente citado — "Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia" (1 Co 10.12) — tem sido pervertido. A maioria o usa para justificar a queda, quando a Palavra o escreveu para exortar à vigilância. A verdade é simples e dolorosa: se caiu, é porque não tomou o devido cuidado. Escândalos recentes de assédio sexual expõem a mesma raiz podre: casamentos espiritualmente doentios e a exposição inconsequente ao sexo oposto. Despreza-se o mandamento direto das Escrituras: "Abstende-vos de toda a aparência do mal"
(1 Ts 5.22). A queda não acontece por acaso; ela nasce da negligência.
Dois fatores vitais conduzem um líder ao abismo:
1. A Falta de Intimidade com Deus
"Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida,
purifiquem o coração" (Tg 4.8). Quando deixamos a intimidade com o Senhor, decidimos andar sozinhos, fiados na força da nossa própria carne. Olhemos para o Salmo 51: ao pecar, Davi jamais justificou o seu erro. Ele o expôs diante de Deus, clamou por purificação, renovação e perdão numa oração sem rodeios, de pura confissão.
2. A Falta de Temor
"Adorai ao Senhor com temor e alegrai-vos com tremor" (Sl 2.11). O temor ao Senhor é o princípio da sabedoria. Sem ele, tornamo-nos arrogantes e ignorantes, achando que podemos vencer a tentação por nós mesmos. "Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1).
Nas tentativas de passar o pano sobre os erros atuais, frequentemente evocam a figura do Rei Davi. Mas há uma distinção fundamental: Davi era um rei, não um pastor da igreja de Cristo. O Novo Testamento estabelece o padrão inegociável para quem exerce o ministério pastoral:
"Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que os outros também tenham temor." — 1 Timóteo 5.20
"Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo." — Tiago 3.1
Se querem usar a história de Davi, que mostrem as terríveis consequências do seu pecado, em vez de usá-lo como escudo para a imoralidade:
A morte do filho: O bebê gerado com Bate-Seba adoeceu e faleceu (2 Sm 12.14-18). A violência incessante: A espada jamais se apartou da sua casa, gerando guerras sangrentas entre seus próprios filhos (2 Sm 12.10). Tragédia e incesto familiar: Amnom violentou a própria irmã, Tamar, e acabou assassinado por seu irmão Absalão (2 Sm 13). Rebelião e humilhação pública: Absalão tomou o reino, forçou Davi a fugir e deitou-se publicamente com as concubinas de seu pai no terraço do palácio, à vista de todo o povo (2 Sm 16.22). Perda do privilégio sagrado: Davi foi proibido de construir o Templo do Senhor porque havia derramado muito sangue (1 Cr 22.8).
Nossa pregação e nossas manifestações públicas serão infinitamente mais bíblicas e exortativas se pararmos de fabricar desculpas para a iniquidade e passarmos a confrontar o povo com o peso do julgamento de Deus. A igreja precisa voltar a ter temor.