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Igreja & Ministério

Diferentes, Mas Ele Não Muda: O Que os Cristãos da Diáspora Podem Ensinar à Igreja Ocidental

Eduardo Mendes · · Leitura de 3 min

Há anos a Igreja ocidental afirma que o campo missionário veio até nós. Isso é verdade, mas é apenas metade da história. Quase metade dos imigrantes e refugiados que chegam à América do Norte já se identificam como seguidores de Jesus, e alguns vêm como missionários. Nosso chamado em relação a eles não é, em primeiro lugar, o evangelismo. É ministrar por meio deles, com eles e além deles. E isso começa com algo surpreendentemente difícil: ouvir.

Vivo nos Estados Unidos há alguns 10 anos como missionário brasileiro, adorando em uma igreja de língua inglesa. Três diferenças se destacam, e todas estão interligadas.

A primeira é a língua do coração na adoração. Em uma visita à minha igreja no Brasil, a congregação cantou "Contemple a Deus", e simplesmente não foi a mesma coisa que cantar "Behold Our God" em inglês. Quando o pastor me perguntou do que eu mais sentia falta do Brasil, respondi sem hesitar: adorar em português. Por favor, vamos cantar de novo.

A segunda é o tempo e os relacionamentos. Brasileiros amam estar juntos enquanto adoram Aquele que nos une. A igreja é como uma família, e a semana gira em torno dela: domingo de manhã e à noite, quarta-feira, pequenos grupos, sábado com a juventude. Nos Estados Unidos, precisei aprender que a semana gira em torno da escola e dos esportes.

A terceira é a forma da própria adoração. Minha igreja no Brasil e minha igreja americana têm liturgias semelhantes, mas no Brasil a adoração está entretecida em quem somos como comunidade. Nos Estados Unidos, a adoração tende a ser individual, uma linha vertical entre a pessoa e Deus. Quando meu pastor americano visitou o Brasil, ele me disse depois que sentiu falta de algo em nossos cultos. Eu o entendi perfeitamente. Sinto a mesma coisa todo domingo, só que do outro lado.

Esse é o desafio mais profundo para igrejas que desejam se tornar multiétnicas. Uma cultura orientada por relacionamentos e uma cultura orientada por processos não apenas cantam em línguas diferentes; elas pensam de modo diferente. No Brasil, se quero ver um amigo, pego o carro, vou até a casa dele e toco a campainha. Nos Estados Unidos, converso com minha esposa, consulto a agenda, escolho a melhor ferramenta para fazer contato e marco um horário, provavelmente daqui a três ou quatro semanas. O que uma cultura prefere pode ser exaustivo para outra.

Por isso ainda precisamos tanto de igrejas monoétnicas quanto de igrejas multiétnicas. A primeira geração de imigrantes precisa adorar na língua do coração. A segunda geração costuma transitar entre os dois mundos, e na terceira a integração geralmente se completa. Gerações diferentes exigem abordagens diferentes, não concorrentes.

Uma igreja pode de fato se tornar multicultural? Não creio. Acrescentar etnias ou cantar uma música em espanhol não torna uma igreja multicultural. Mas toda igreja pode se tornar mais intercultural, escolhendo aprender com outros crentes e colocando o relacionamento acima do programa. Compreender uma cultura começa por compreender pessoas.

Então, se você quer servir os cristãos da diáspora em sua cidade, desenvolva a disciplina da escuta intencional. Tome a iniciativa, porque eles estão esperando por você. Não espere um plano; apenas vá. Ouça sem levar críticas para o lado pessoal. Pergunte sobre eles, não apenas sobre a cultura deles. Deixe de lado as primeiras impressões. Permaneça na conversa até o fim. Esteja pronto para ser desafiado e aberto à mudança. E lembre-se: se você realmente se importa, eles saberão. Eles estão lendo você.

Todo domingo ainda sinto falta da adoração comunitária do Brasil. E todo domingo Deus me lembra que nós somos diferentes, mas Ele não muda.