Série A Dança da Trindade (Parte 8): Éramos Espectadores, O Momento em que Deus Virou o Jogo
A coreografia perfeita acontecia diante de nós, mas não sabíamos dançar.
A condição humana pós-queda era de total incapacidade espiritual e impotência moral diante das exigências da lei divina. Uma coreografia celestial perfeita desdobrava-se diante dos nossos olhos na beleza da criação e nos estatutos santos, mas nós permanecíamos paralisados e confusos. Nossos pés não conheciam o compasso da verdadeira santidade, nossas mãos manchadas pelo pecado não conseguiam alcançar a graça, e nosso coração endurecido insistia em disputar o trono em vez de prostrar-se reverente diante do Rei.
Éramos meros espectadores doentes da glória divina, condenados a admirar de longe um banquete do qual não podíamos participar por nossas próprias forças. Nenhuma filosofia humana, código ético ou esforço ascético possuía o poder de nos ensinar a dançar no ritmo de Deus. A distância entre a nossa miséria e a pureza inacessível do Todo-Poderoso parecia intransponível para sempre, consolidando a nossa condição de réus desamparados e espiritualmente cegos no meio da história.
Foi exatamente nesse cenário de desespero e trevas que o Deus Triúno operou o grande ponto de virada da história da redenção. O Pai celestial não se limitou a enviar cartas de advertência ou juízos condenatórios: Ele enviou o Seu próprio Filho amado para abrir um caminho novo e vivo através do véu da carne. O Filho veio ao nosso encontro para pagar a dívida impagável, limpar a nossa vergonha e estabelecer as bases da nossa ressurreição espiritual.
Como selo final dessa maravilhosa virada, o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo (o Divino Consolador e Mestre interior) para transformar espectadores passivos em participantes ativos da dança da vida eterna. Deus não esperou que aprendêssemos a andar por conta própria, até mesmo porque nunca aprenderíamos; Ele veio em nosso socorro para nos segurar pelas mãos, perdoar nossos tropeços e ensinar aos nossos pés o ritmo incomparável do Seu amor redentor.